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Escrito por Administrador   
23-Ago-2007

LANÇAMENTO DE NOVO VOLUME DAS OBRAS COMPLETAS DE ARISTÓTELES
No Quadro da Reunião em Lisboa da Sociedade Ibérica de Filosofia Grega


A Sociedade Ibérica de Filosofia Grega, fundada em 2000, reúne desde essa data a quase totalidade dos investigadores portugueses e espanhóis na área da Filosofia Antiga, oriundos igualmente dos estudos filosóficos e dos estudos clássicos, sendo desde o início presidida por um dos mais eminentes aristotelistas contemporâneos, o Professor Tomás Calvo, catedrático da Faculdade Filosofia da Universidade Complutense de Madrid.
Os seus mais de setenta membros, todos titulados com o grau de Doutoramento, reúnem-se regularmente em cinco reuniões plenárias por ano, mais frequentemente em Madrid, mas também em outras cidades de Espanha, como, por exemplo, Valência ou Palma de Mallorca, dedicando-se, ao longo de um dia inteiro, à análise de um tópico bem circunscrito da sua área científica.
Pela primeira vez, a reunião plenária da Sociedade Ibérica de Filosofia Grega vai ter lugar em Lisboa, na Faculdade de Letras, no próximo dia 10 de Fevereiro de 2006, sendo dedicada à análise da teoria aristotélica da ciência, conforme programa em anexo.
Naturalmente, e como é hábito nas reuniões da Sociedade, também esta será aberta ao público em geral, com especial destaque para os alunos de pós-graduação e de licenciatura.
Neste caso, a reunião culmina com uma novidade, que é a apresentação ao público de mais uma tradução integrada nas Obras Completas de Aristóteles, em curso de edição através de uma parceria entre o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e a Imprensa Nacional – Casa da Moeda.
Trata-se da primeira tradução portuguesa da História dos Animais, obra fundadora da Biologia, o que lhe confere uma enorme importância na história da cultura ocidental. A tradução foi feita directamente do original por Maria de Fátima Sousa e Silva, professora catedrática do Instituto de Estudos Clássicos e Humanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, sob revisão científica de Carlos Almaça, professor catedrático jubilado do Departamento de Biologia Animal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.


REUNIÃO PLENÁRIA (10 DE FEVEREIRO DE 2006)
A TEORIA ARISTOTÉLICA DA CIÊNCIA


FACULDADE DE LETRAS (SALA D. PEDRO V)
10:00: Abertura
10:15: “In quale misura la teoria aristotelica della scienza trova applicazione nei trattati di Aristotele?” (Professor Enrico Berti, Universidade de Pádua)
11:15: Intervalo para café.
11:30: “A Natureza das Proposições Silogísticas em Aristóteles” (Professor António Pedro Mesquita, Universidade de Lisboa)
12:15: “El azar y la ciencia natural en Aristóteles” (Professor Tomás Calvo Martinez, Universidade Complutense de Madrid)
13:00: Propositura das questões e inscrições para o debate
13:30: Almoço
15:30: Debate
18:00: Encerramento
MUSEU DA CIDADE
18:30: Apresentação pública da tradução portuguesa da História dos Animais I-VI (Maria de Fátima Sousa e Silva).
19:30: Porto de Honra.

 

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ARISTÓTELES LUSITANO: TRADUZINDO PARA A POSTERIDADE
No passado dia 23 de Fevereiro, teve lugar, na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa, a apresentação pública do projecto “Tradução Anotada das Obras de Aristóteles”, inserido na actividade de investigação do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.
Este será seguramente, em Portugal, um dos acontecimentos bibliográficos mais importantes das últimas décadas, uma vez que para além de dar ao público português a possibilidade de ler na nossa língua pátria – tarefa até agora impossível – a obra completa do grande filósofo grego, tem a virtude de englobar no seu núcleo de trabalho praticamente todos os investigadores universitários que trabalham não só na área da Filosofia Antiga, como também na dos Estudos Clássicos ou mesmo na da Língua e Cultura Árabes.
De facto, o coordenador deste projecto, Prof. António Pedro Mesquita, alguém que se tem vindo a destacar como um dos nossos mais importantes investigadores ao nível da Filosofia Antiga, soube congregar à sua volta um respeitável núcleo de trabalho, constituído por investigadores não só do próprio Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, como também do Departamento de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa, do Instituto de Filosofia da Linguagem da Universidade Nova de Lisboa, do Departamento de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, dos Institutos de Estudos Filosóficos e de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra, do Departamento de Comunicação da Universidade da Beira Interior e do Departamento de Letras Clássicas e Modernas da Universidade do Algarve, ou seja, de quase todos os mais importantes Centros de Investigação e Universidades que se dedicam quer ao estudo da Filosofia, quer ao estudo da Filologia Clássica.
Este extenso e heterogéneo grupo de trabalho promete ao público português um trabalho idóneo, tornado possível pela grande disponibilidade e mérito científico do seu coordenador, e também dos seus consultores científicos, provenientes de diversos quadrantes do saber e instituições (destacamos, por exemplo, o Instituto David Lopes de Estudos Árabes e Islâmicos, ou o Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa ou mesmo a Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa).
Um projecto ambicioso como este conta com o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia, instituição que desde logo acarinhou este projecto, classificando-o de “Excelente”, tendo em conta o parecer de um quadro internacional de investigadores e professores universitários.
A sua edição é igualmente suportada pela colaboração da Imprensa Nacional – Casa da Moeda.
Um projecto como este é sem dúvida inédito em Portugal e a sua premência é indiscutível, numa altura em que a investigação na área da Filosofia e dos Estudos Clássicos tem vindo a tomar um novo fôlego. O conhecimento em primeira mão da obra de Aristóteles trará sem dúvida ideias e ideais novos àqueles que já não mais compulsarão a obra do Estagirita em segunda mão, mas beberão directamente as palavras do filósofo, sem o recurso a manuais que muitas vezes reflectem mais o modo como o grego foi lido ao longo dos séculos do que propriamente a obra de Aristóteles.
Como o coordenador do projecto teve oportunidade de referir na apresentação pública do projecto, não se conhece, a nível internacional, nenhuma edição completa da obra de Aristóteles que englobe a totalidade do corpus aristotélico, nomeadamente os apócrifos tardios.
O único senão é que teremos de esperar cerca de doze anos até o projecto estar concluído, prazo que é absolutamente compreensível dada a dimensão da obra do Filósofo.
Na apresentação pública do projecto, foi igualmente dado a conhecer o portal na internet (http:// www.obrasdearistoteles.pt), desenvolvido pela empresa Brainology, onde todas estas informações podem ser consultadas, com especial destaque para uma bibliografia on-line sobre a totalidade de monografias e artigos que têm vindo a ser publicados sobre Aristóteles, continuamente actualizada, algo que terá uma importância não só nacional como mesmo internacional, e para a hipótese de consultar os volumes publicados através do formato PDF, mediante uma senha de acesso.
E, já que falamos em tecnologias de informação, é de observar que, quando a edição estiver completa, vai ser criado um CD-ROM com todo o trabalho desenvolvido.
Na abertura deste evento, estiveram presentes o Prof. José Barata-Moura, Reitor da Universidade de Lisboa, o Prof. Fernando Ramôa Ribeiro, presidente da F.C.T., o Dr. António Braz Teixeira, presidente da I.N.C.M., e o Prof. Manuel José do Carmo Ferreira, director do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.
Todos eles mostraram a sua satisfação por poderem dar um decisivo contributo para um projecto de tal forma importante para o país.

  

A apresentação pública do projecto coincidiu com o lançamento dos primeiros volumes da colecção, a Introdução Geral, da autoria de António Pedro Mesquita, Os Económicos, traduzidos por Delfim Ferreira Leão, e a Retórica, traduzida por Manuel Alexandre Júnior, Abel Nascimento Pena e Paulo Farmhouse Alberto, sendo este último volume uma reedição da obra igualmente publicada na sua primeira edição na I.N.C.M.
A Introdução Geral foi apresentada pelo Prof. Tomás Calvo Martinez, da Universidade Complutense de Madrid, investigador de há muito ligado ao estudo da Filosofia Antiga na Península Ibérica e, por tal, íntimo conhecedor quer dos textos de quer dos estudos sobre a obra de Aristóteles. Como tal, não são com certeza de desprezar os seus sentidos elogios – e quem estava no público facilmente se apercebeu de que não eram meras vénias vazias – à obra de António Pedro Mesquita, livro que traz à língua portuguesa um novo e imprescindível objecto de estudo para aqueles que se iniciem nos textos e na linguagem filosófica de Aristóteles.
O Prof. Tomás Calvo começou por referir as partes em que se dividia o volume, uma primeira parte referente à edição, uma segunda que inclui um breve conspecto da biografia aristotélica, uma terceira composta por estudos sobre o texto e a língua filosófica de Aristóteles e uma quarta contendo uma bibliografia fundamental da obra do filósofo.
Mas as suas palavras foram quase exclusivamente para a segunda parte deste livro, celebrando por variadas vezes a capacidade de síntese do seu autor, em especial na abordagem feita da problemática da abordagem genética à obra de Aristóteles, louvando igualmente o nível de erudição demonstrado. Diz Tomás Calvo, se bem nos recordamos da suas palavras, que nunca lera um conspecto sobre esta problemática de tal modo completo e actualizado, o que fará deste livro algo a ter seguramente em linha de conta no plano internacional.
As suas últimas palavras foram para o subcapítulo que trata das dificuldades particulares do vocabulário aristotélico, nomeadamente dos problemas que se levantam quando o traduzimos para o português, comentando o aparente conservacionismo demonstrado por António Pedro Mesquita, defensor de que, na maior parte dos casos, se conserva a tradição consagrada dos termos gregos (ousia - substância, sumbebekos - acidente, etc.).
Os Económicos, traduzidos pelo Prof. Delfim Ferreira Leão, do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, alguém que se tem vindo a destacar pelo seu mérito na investigação e tradução ao nível dos Estudos Clássicos, foram apresentados pelo Prof. Pedro Cardim, docente na Universidade Nova de Lisboa.
Sendo no âmbito da História que tem vindo a desenvolver a sua actividade, o Professor referiu-se sumariamente à recepção deste livro ao longo da História, com particular incidência no período que trabalha. Isso não o impediu de tecer considerações gerais sobre a grande diferença que existe entre a hodierna Economia, e aquilo que Aristóteles entendia por Economia – fundamentalmente a ciência de governar a oikos, a casa.
Pela sua intervenção, apercebemo-nos de que este texto de Aristóteles conhece especial fortuna ao nível da História das Mentalidades, uma vez que regulou em grande medida, e até bem tarde na nossa História, a teorização feita ao nível desta disciplina. Por tal, foi com extremo agrado que o Prof. Pedro Cardim recebeu a notícia da publicação deste volume, uma vez que, a partir de agora, já não mais alunos e professores terão de recorrer a traduções estrangeiras para ler esta obra do Estagirita traduzida directamente do original.
O último volume apresentado foi a Retórica, traduzida por Manuel Alexandre Júnior, Abel Nascimento Pena e Paulo Farmhouse, investigadores do Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa.
Foi um momento alto desta apresentação pública, não menoscabando todas as outras intervenções: o Prof. Quintin Racionero, da Universidade de Ensino à Distância, alguém que nos cativou particularmente, soube apresentar brilhantemente o renascimento que a Retórica tem conhecido nos últimos vinte anos – renascimento que se prende muito com a falência cada vez mais notória do paradigma científico. Dada a impossibilidade de saber cientificamente a verdade, o cientista tornou-se não mais o detentor de uma verdade que sabe finita, mas o grande retórico, o grande persuasor de verdade. Com esta ideia, polémica de certo, Quintin Racionero soube de facto persuadir o seu público, num estilo claro e pausado, digno dos melhores oradores da Antiguidade.
Ao professor Manuel Alexandre Júnior, com que tive a particular felicidade de estudar a Retórica de Aristóteles, estudioso da Retórica antiga, com provas prestadas quer no domínio nacional como internacional, não foi decerto indiferente o apaixonado e empolgante discurso do professor espanhol.
Como conclusão destas entusiastas palavras que aqui não temos nem o engenho nem a perícia de reproduzir, Quintin Racionero referiu-se especificamente à edição portuguesa da Retórica, considerando-o, na linha do que pouco antes o Prof. Tomás Calvo Martinez dissera, conservadora em diversos aspectos, pormenor que, no seu entender, só enriquece uma tradução e não a desprestigia, ao evitar a deriva daquelas traduções que, ironizou, «traduzem do Grego para o Grego, só que noutra língua».


Prof. Tomás Calvo (UCM)


Prof. Pedro Cardim (UNL)


Prof. Quintin Racionero (UNED)


É sempre difícil falar de um projecto no qual estamos envolvidos, mas acredito sinceramente que é a todos os níveis louvável esta iniciativa do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa: quer pela sua dimensão, quer pela sua amplitude, quer porque, como referia o Prof. Carmo Ferreira no início da apresentação, soube conjugar os esforços de tantas instituições de saber que por vezes andam lamentavelmente de costas voltadas.
Quem lucrará com isso será, naturalmente, o público.
Quem sabe se o lusitano Aristóteles trará novos ventos aos vindouros filósofos portugueses?


Pedro Braga Falcão


Actualizado em ( 11-Mar-2008 )
 
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